O mapa primitivo, os nomes antigos das ruas e o nascimento oficial de Marialva
Um resgate detalhado dos decretos, das primeiras autoridades em 1952 e das curiosas mudanças de nomes que moldaram o coração da Capital da Uva Fina.
A venda dos lotes urbanos foi um sucesso tão estrondoso que a colônia rapidamente ganhou corpo de cidade MARIALVA – Imagine-se em 1940. O norte do Paraná era uma imensidão verde cortada por um "estradão de terra batida". Foi exatamente nesse cenário, entre Mandaguari e Maringá, que a Companhia de Terras Norte do Paraná idealizou e planejou o Patrimônio Marialva. A venda dos lotes urbanos foi um sucesso tão estrondoso que a colônia rapidamente ganhou corpo de cidade.
Hoje, dando continuidade à série especial dos 75 anos de Marialva, trazemos um documento precioso de resgate histórico para estudantes, pesquisadores e corações nostálgicos: os bastidores da nossa emancipação, as primeiras autoridades e o mapa primitivo das nossas ruas.
O Caminho até a Emancipação
A caminhada jurídica de Marialva começou a ganhar força em 10 de outubro de 1947, quando a Lei Estadual nº 02 elevou o patrimônio à categoria de Distrito Administrativo, ainda pertencente a Mandaguari (que na época havia acabado de se desmembrar de Apucarana).
A autonomia definitiva veio com a Lei Estadual nº 790, de 14 de novembro de 1951, que criou oficialmente o Município de Marialva, desmembrando-o de Mandaguari e dividindo-o em dois distritos: o da Sede e o de Itambé.
No entanto, o grande dia de festa popular aconteceu em 14 de dezembro de 1952. Foi nesta data solene que a cidade ganhou vida administrativa própria com a posse do nosso primeiro prefeito eleito, o senhor Antônio Garcia Neto, e a instalação da primeira Câmara Municipal, presidida pelo pioneiro Kamel Izar. A engrenagem pública começou a rodar em uma sede humilde, localizada na Rua Washington Luiz, nº 609, bem em frente ao Grupo Escolar (atual Escola Dr. Milton Tavares Paes).
Logo em seguida, em 14 de novembro de 1953 (Lei nº 1542), Marialva era elevada à categoria de Comarca de 1ª entrância, recebendo seu primeiro Juiz de Direito, o Dr. Leandro de Freitas Oliveira, e os primeiros promotores, os doutores Severiano Bittencourt e Hydos José da Silveira, além de incorporar o distrito judiciário de Aquidaban.
O "Mapa Primitivo": Qual era o nome da sua rua?
Uma das maiores curiosidades da nossa história está na mudança dos nomes das vias públicas. Conforme o município crescia e homenageava figuras públicas e santas, as ruas originais do planejamento de 1940 iam deixando o mapa.
Se você mora ou passa pelo centro hoje, confira como a sua rua se chamava no mapa primitivo de Marialva:
Rua Presidente Nereu Ramos originalmente era a Rua Mercedes
Rua Attilio Ferri originalmente era a Rua Cambuci
Rua Nossa Senhora do Rocio originalmente era a Rua Canidé
Rua Washington Luiz originalmente era a Rua Pirineus
Rua Papa João XXIII originalmente era a Rua Ipiranga (e depois Rua Luzitana)
Rua Manoel Martins Gimenez originalmente era a Rua Xavantes
Avenida Dr. Eurico Barros originalmente era a Av. das Palmeiras (e depois Av. John F. Kennedy)
Rua Cipriano Parpinelli originalmente era a Rua Oriente
Alameda Guilherme De Polli originalmente era a Rua Presidente Nasser (e antes Rua Ouvidor)
O Nome e a Riqueza da Época
Vale sempre lembrar: naqueles anos dourados de fundação, o coração econômico de Marialva batia no ritmo das lavouras de café, que concentravam a imensa maioria da nossa população na zona rural.
E de onde veio o nome "Marialva"? Diferente do que muitos pensam, trata-se de uma homenagem direta a D. Pedro de Alcântara Menezes, o Marquês de Marialva, um dos mais destros e famosos cavaleiros portugueses, que viveu entre 1711 e 1799.
Guardar esses dados é manter viva a identidade de um povo que transformou poeira e suor em uma das cidades mais orgulhosas do Paraná.







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