PAULO VERGUEIRO
TEREMOS REFLEXO NA TAXA SELIC?
Gerada por IAA escalada militar no Oriente Médio, consolidada em março de 2026 com oconflito direto envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel, impõe um cenáriode extrema dualidade para a economia brasileira.
De um lado, o Brasil, como um dos grandes produtores globais de petróleo,observa a valorização de suas exportações e o fortalecimento de empresas como aPetrobras, que se beneficiam do barril Brent operando na casa dos US$ 80 aUS$ 100.
Esse fluxo de dólares pode atenuar déficits comerciais, mas os ganhos paramna superfície do balanço de pagamentos.
O reverso dessa moeda é o impacto inflacionário severo. O fechamento ou aameaça constante ao Estreito de Ormuz eleva o custo dos fretes e doscombustíveis, gerando um efeito cascata nos preços de alimentos e produtosindustrializados.
No Brasil, isso ocorre no momento em que o Banco Central planejava um ciclode cortes na taxa Selic, que iniciou 2026 em patamares elevados (15%).A pressão nos preços dos derivados de petróleo força a autoridade monetária aser mais cautelosa: o mercado já ajusta as expectativas de juros para o finaldo ano em torno de 12%, temendo que a inflação (IPCA) se desancore dameta de 3%.
Além disso, o cenário de 2026 é agravado pela volatilidade do câmbio e pelasincertezas de um ano eleitoral.
O dólar, tradicional refúgio em tempos de guerra, tende a se valorizarglobalmente, o que encarece insumos importados e pressiona ainda mais o custode vida do brasileiro. Para o PIB, a projeção atual de crescimento moderado(cerca de 1,8%) fica sob constante revisão.
Se o conflito for breve, o Brasil pode emergir com uma balança comercialrobusta; se for prolongado, o custo da energia e o aperto monetário podem levara economia a uma estagnação perigosa, transformando a bonança das commoditiesem uma crise de consumo interno.





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