Tragédia na montagem de estande levanta dúvidas sobre EPIs na Expoingá
A segurança dos trabalhadores na Expoingá precisa entrar no centro do debate público
O acidente ocorreu no último sábado, 2 de maio. A segurança dos trabalhadores na Expoingá precisa entrar no centro do debate público depois da morte de Valdir Moreira de Andrade, de 46 anos, morador de Paiçandu. Ele morreu após sofrer um acidente de trabalho durante a montagem de um estande no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá.
O acidente ocorreu no último sábado, 2 de maio. Segundo informações divulgadas, Valdir trabalhava na montagem de um estande quando sofreu uma queda. Ele recebeu atendimento da brigada interna, teve apoio de uma equipe médica do Samu e foi encaminhado ao Hospital Universitário de Maringá. No entanto, apesar dos atendimentos médicos, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu na segunda-feira, 4 de maio.
Valdir deixa esposa e duas filhas. Portanto, a tragédia não pode se limitar a uma nota de pesar. Ela impõe uma pergunta direta: as empresas prestadoras de serviços contratadas para grandes eventos oferecem condições reais de segurança aos trabalhadores?
Nota de pesar não encerra o assunto
A Sociedade Rural de Maringá lamentou a morte do trabalhador e informou que ele prestava serviço de instalação de comunicação visual para um expositor. A entidade também destacou que o profissional recebeu atendimento da brigada interna, da equipe de emergência e do Samu.
Ainda assim, o caso exige apuração rigorosa. A nota de pesar cumpre um papel humano, mas não responde às questões técnicas. Quem contratou a empresa? Havia fiscalização no local? O trabalhador utilizava equipamentos de proteção individual? A atividade contava com acompanhamento técnico? Existia um plano de segurança específico para a montagem?
Essas perguntas não fazem acusação. Pelo contrário, elas estabelecem critérios mínimos de responsabilidade e transparência.
Expoingá precisa cobrar EPIs e protocolos
A Expoingá movimenta a economia regional, atrai milhares de visitantes e gera empregos temporários. No entanto, por trás da estrutura montada para o público, existe uma cadeia de trabalhadores expostos a riscos operacionais.
Por isso, os organizadores precisam exigir das empresas terceirizadas o cumprimento rigoroso das normas de segurança do trabalho. Além disso, devem cobrar o uso adequado de EPIs, treinamento prévio, supervisão técnica e controle de riscos durante todas as etapas da montagem.
Não basta estruturar o evento para o público. É necessário garantir que cada trabalhador tenha condições seguras para executar sua função.
Pergunta que fica no ar
A morte de Valdir Moreira de Andrade deixa uma questão que não pode ser ignorada: as empresas prestadoras de serviço da Expoingá estão cumprindo integralmente as exigências de segurança do trabalho?
A resposta precisa surgir com base em fiscalização, documentos e eventual apuração dos órgãos competentes. Afinal, nenhum evento pode ser considerado bem-sucedido se trabalhadores perdem a vida nos bastidores.






COMENTÁRIOS